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Inveja

Inveja é um sentimento interessante com o qual entro em contato às vezes. Talvez isso aconteça com você também.

Antigamente eu nem percebia quando sentia inveja. Eu via uma pessoa fazendo algo que eu queria realizar e ficava muito feliz pela pessoa - às vezes deixando clara a minha admiração por ela, às vezes só afirmando para mim mesma o quanto a admirava. Eu realmente não reconhecia a inveja que sentia, até porque eu não a considerava um sentimento nada nobre.
Existia, associada à alegria pela pessoa, uma tristeza por ter o desejo mas não manifestar aquilo que a pessoa estava realizando. Eu sentia inveja e achava que aquela pessoa só poderia estar fazendo aquilo porque era melhor que eu.

A inveja, então, surge de uma comparação. Há um desejo que eu não estou realizando e outra pessoa está. Normalmente a comparação está fundada em julgamentos que não retratam a realidade da pessoa que realizou o que gostaríamos. Posso ficar com inveja de uma pessoa que tem uma casinha no campo porque acho que ela está mais confortável e feliz que eu. Não é possível saber se a pessoa realmente se sente assim ao entrar em contato com o fato de que ela tem uma casa no campo. Posso também ficar com inveja de uma pessoa que consegue alcançar muitas pessoas com seus textos porque acho que a contribuição dela com o mundo é muito maior que a minha. Mas o que é contribuir com o mundo? Que poder nós temos, de fato, de tocar o outro? Por que acessar mais pessoas seria contribuir mais? Não é possível estabelecer essa relação apenas a partir desse fato.

As pessoas sentem inveja pelas mais variadas razões. Independente da causa, o contato com esse sentimento traz uma possibilidade de reflexão/ação sobre algo que existe em você pronto para se manifestar, mas que, por algum motivo, você ainda não realizou. (In)veja: veja internamente. Se você viu algo em outra pessoa e ficou triste por não ter/ser/representar aquilo também, olhe para dentro de você. É bem provável que perceba que o que viu já existe internamente e está a ponto de transbordar. Não o fato em si. Pode ser que você não compre uma casa no campo ou não se conecte com mais leitores. A casa ou os leitores representam alguma coisa para você e é isso que já tem dentro de si. Porque não podemos reconhecer nada que não é conhecido. Se você relaciona a casa à tranquilidade é porque ela já existe dentro de você. Se você relaciona a quantidade de leitores com a habilidade de tocar pessoas é porque você já tem a capacidade de se conectar, mas ela ainda não se manifesta plenamente ou não é reconhecida como realmente é.

Pode ser que algo esteja bloqueando essas manifestações: medo, insegurança, dúvidas, crenças, pensamentos incapacitantes e comparativos. Se você tem muita vontade de falar em público, mas tem medo de começar porque acha que as pessoas não vão gostar de você dependendo do que disser, talvez sinta inveja de alguém que se expressa muito bem nesse contexto. É hora de olhar para as crenças que se associam ao medo que você já percebeu que tem. Hora de olhar mais atentamente para esse medo, assumir que ele existe, entender de onde ele surge e tudo o que está ligado a ele. Pode ser que só de olhar para ele, só de entendê-lo a fundo, você perceba que ele não tem tanto poder assim sobre você. Pode ser que você queira compartilhar com alguém e que isso te faça vê-lo melhor. Não tem fómula. Se você se abre para realmente ver, um movimento acontece.

A inveja é um convite muito potente para a manifestação das nossas capacidades. Se sentir inveja, reconheça e aproveite a possibilidade que ela traz de olhar pra dentro de nós mesmos e ver coisas maravilhosas!


Eu queria, há muito tempo, fazer uma série de vídeos sobre sentimentos, emoções e crenças. Hoje a Nath Duarte, criadora do Astroconhecimento, fez um post sobre inveja que me impulsionou a escrever. Sou muito grata a você, Nath! <3